25 Dezembro 2005

Nísia Floresta

Não me lembro de caso semelhante na literatura brasileira: o de uma poetisa que tenha dado o seu nome a uma cidade, no caso, Nísia Floresta, no Rio Grande do Norte. Batizada como Dionísia Gonçalves Pinto, apesar de um histórico de pai assassinado, e de ter ficado viúva ainda muito jovem, Nísia Floresta Brasileira Augusta, como ficou conhecida, continuou a sua trajetória de realizações para as coletividades entre as quais viveu no Rio Grande do Norte, em Pernambuco, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro, publicando artigos em jornal acerca da situação da mulher, passou pela experiência da Guerra dos Farrapos, fundou e dirigiu colégios, publicou, em 1853, o livro Opúsculo Humanitário, participou da campanha pela abolição da escravidão entre os anos de 1872 a 1875, voltando então à França. É patrona da Academia de Letras do Rio Grande do Norte.
Nísia nasceu em Papari (hoje Nísia Floresta), em 1810, e faleceu em Rouen, na França, em 1885.
Penso que a trajetória dessa mulher encontra paralelo nas de Anita Garibaldi, Maria Quitéria, Maria Bonita e outras mais, desdenhadas quaisquer mistificações, adornos, paliativos, etc...
Aqui sob esta abóbada

Aqui sob o zimbório, onde um santo viveu,
Eu cismo sobre o nada. E a lama entristeceu
E vem-me ao coração assim desiludido
Santa recordação do meu filho querido.
A lembrança dos meus é orvalho enluarado
Suavizando o calor do meu peito abrasado.
Da vida no espinhal, de minha mãe a imagem
É perfume de flor, é verde ramagem.
Branca e doce visão aos pés do altar pendida,
Intercedendo aos céus pela filha dorida,
Que chora de amargor ante o vício e o pecado
Enquanto escuta da alma um som nunca estudado.
Brando e divino som que ao coração me vem
Como réstias do sol, como um sopro do Bem.
Seria a tua prece, ó mãe, o teu cicio
Que em mim repercutindo eu sinto que alivio?
Deus fazendo vibrar seráfica oração,
Harmonia do céu dentro do coração?
Ó mãe, esposo e pai, ó trindade primeira,
Que eu recordo entre o crepe e a flor da laranjeira,
Como estrelas brilhando em rosários de luz,
Um clarão derramai aos pés da minha Cruz !
*
Foto do túmulo e poema foram trazidos DAQUI.
*

1 Comments:

Blogger Miguel do Rosário said...

Darlan, feliz 2006.
hellbar.blogspot.com

27 Dezembro, 2005  

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