
Pão torrado gritando
para o patê
no meio das pernas
da tarde
moedas e farpas, gemas
claras memórias
o açúcar menor da razão
#
Ossos e cílios ficam ineptos
em lugar assim
e por isso te digo
e me digo
dessa tarde que nos chama
antes que a manhã se surpreenda
vencida em seu tempo de encantamento
por nós
#
Diante do café
da manhã
a artimanha se faz
exausta de ser
e não ser o que é,
mas continua mentindo
para a tarde: irei
#
Sendo células tuas os poemas,
não podes de jeito algum deixá-los
sob teto, senão soltá-los à mortandade
da tarde, aos ecos que a noite vai exigir
e a manhã cooptar, talvez,
sob protestos
DMC
@
Crochê e outras artes manuais. Maria José Matos Cunha, MG.
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.


1 Comments:
Adorei os versos!
=]
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